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Câmara Federal aprova PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz jornada para 40 horas semanais

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Câmara Federal aprova PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz jornada para 40 horas semanais

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias, com dois dias de descanso remunerado, encerrando oficialmente a escala 6×1. A proposta agora segue para análise do Senado Federal.

Aprovação da proposta

A PEC foi aprovada com ampla maioria no plenário. No segundo turno, foram 461 votos favoráveis e 19 contrários. Já no primeiro turno, a proposta recebeu 472 votos a favor e 22 contra.

Como ficará a nova jornada

A nova regra estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, divididas em cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado por semana.

A mudança será feita de forma gradual:

  • Dois meses após a promulgação da PEC:
    • trabalhadores da CLT passarão a ter direito a dois dias de descanso semanal;
    • a jornada cairá de 44 para 42 horas semanais.
  • Após 14 meses da promulgação:
    • a carga horária será reduzida definitivamente para 40 horas semanais.

Durante a transição, acordos e convenções coletivas poderão ajustar a jornada diária para facilitar a adaptação das empresas.

Garantia de salários e pisos salariais

A PEC garante que a redução da jornada ocorrerá sem qualquer redução salarial. Isso vale tanto para salários individuais quanto para pisos salariais das categorias profissionais.

O texto também determina que contratos já existentes deverão ser mantidos com os mesmos valores de remuneração.

Regimes diferenciados e setores essenciais

Apesar da definição da nova jornada padrão, a proposta permite regras específicas para algumas categorias profissionais.

Áreas consideradas essenciais, como:

  • saúde;
  • segurança;
  • transporte;
  • limpeza urbana;

poderão manter modelos diferenciados de escala, como a 12×36, desde que acordos coletivos garantam, na média, dois dias de descanso remunerado por semana ao longo do mês.

Trabalhadores com jornadas menores

A PEC também protege trabalhadores que já possuem jornadas iguais ou inferiores a 40 horas semanais. Nesses casos, não haverá aumento de carga horária e os profissionais também terão direito aos dois dias de descanso semanal.

Convenções coletivas incompatíveis

Dois meses após a publicação da futura emenda constitucional, cláusulas de acordos ou convenções coletivas que contrariem as novas regras perderão validade automaticamente.

Regras para MEIs, micro e pequenas empresas

Para diminuir os impactos da mudança, o texto prevê que uma lei complementar estabelecerá regras transitórias para:

  • Microempreendedores Individuais (MEIs);
  • microempresas;
  • empresas de pequeno porte.

Entre as propostas discutidas está a possibilidade de MEIs poderem contratar até dois funcionários, além da atualização dos limites de enquadramento no Simples Nacional.

Exceções para profissionais de alta renda

A PEC prevê exceções para trabalhadores com diploma de nível superior que recebam acima de 2,5 vezes o teto da Previdência Social, valor atualmente equivalente a cerca de R$ 21 mil.

Nesses casos, as regras de controle de jornada e limite semanal poderão ser flexibilizadas por acordo individual ou coletivo.

Regras para terceirizados da administração pública

Nos contratos terceirizados ligados à administração pública, a redução da jornada ocorrerá gradualmente conforme a atualização dos contratos entre empresas e órgãos públicos.

A medida busca evitar desequilíbrio financeiro nos contratos vigentes, especialmente em áreas como segurança, limpeza e concessões públicas.

Mesmo nesses casos, o texto garante que não haverá redução salarial para os trabalhadores.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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